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Acessibilidade na tradução não é luxo: é lei e é dinheiro

  • Foto do escritor: jesuistradutora
    jesuistradutora
  • 13 de jul.
  • 3 min de leitura

Atualizado: 14 de jul.

Existe uma atitude filantrópica ao falar sobre acessibilidade audiovisual, reduzindo-a a um gesto bonito: uma empresa "inclusiva", uma produção "sensível", um trabalho "consciente". Não é que essas narrativas estejam erradas, mas elas escondem o fato de que a acessibilidade audiovisual é, simplesmente, um dever legal e um direito de uma boa parte dos consumidores em potencial.


Antes de falar em inclusão como valor abstrato, é preciso entender concretamente o que significa tornar uma obra acessível. No audiovisual, recursos como a audiodescrição e a legendagem para surdos e ensurdecidos permitem que informações originalmente transmitidas por um canal, visual ou sonoro, sejam traduzidas para outro, ampliando as possibilidades de acesso a filmes, séries, peças de teatro e outros conteúdos culturais.


exemplo de audiodescrição em filme

Quais são os tipos mais comuns de acessibilidade em tradução?


Os formatos mais comuns de acessibilidade na tradução são:


Audiodescrição (AD): recurso que traduz imagens em palavras, permitindo que pessoas cegas ou com baixa visão compreendam conteúdos audiovisuais e imagens estáticas, como filmes, fotografias e peças de teatro, entre outros. O recurso é destinado ao público com deficiência visual, mas também pode beneficiar idosos e pessoas com outras deficiências. A audiodescrição pode ser mixada ao áudio original em filmes, distribuída por meio de fones de ouvido em teatros, acessada como texto por softwares de leitura de tela em livros digitais ou disponibilizada em audioguias.


A legendagem para surdos e ensurdecidos (LSE), também chamada de closed captions, vai além da legenda tradicional e indica também sons, ruídos, música, mudanças de tom e tudo aquilo a que uma pessoa surda não teria acesso apenas com a fala transcrita. Existem convenções de formatação já consolidadas, como o uso de colchetes para descrever sons e música de fundo, itálico para indicar vozes fora de quadro ou vindas de um dispositivo eletrônico, e posicionamento na tela para identificar quem está falando quando há mais de uma pessoa. 


Língua Brasileira de Sinais (Libras) é a língua natural de comunicação e expressão da comunidade surda no Brasil. De natureza visual e espacial, ela não é uma tradução gestual do português, mas um idioma independente, com estrutura gramatical, sintaxe e vocabulário próprios.


Um dever com quem consome


No Brasil, a acessibilidade em conteúdos audiovisuais não é opcional. A Lei Brasileira de Inclusão (Lei nº 13.146/2015) garante o direito das pessoas com deficiência ao acesso à informação e à cultura e regulamenta como os recursos de acessibilidade devem ser produzidos. Mecanismos de financiamento público, como o Fundo Setorial do Audiovisual e a Lei Paulo Gustavo, também podem exigir esses recursos não como diferencial, mas como condição de habilitação.


Segundo dados do IBGE, uma parcela significativa da população brasileira convive com algum grau de deficiência visual ou auditiva. Essas pessoas consomem cultura, assistem a filmes, séries, peças e vídeos, ou tentariam, se o conteúdo estivesse preparado para recebê-las.


Cada produção que não pensa em acessibilidade está abrindo mão de uma fatia de público. Perde-se audiência, engajamento e retorno sobre um conteúdo já produzido e pago. Um filme sem audiodescrição simplesmente não existe, do ponto de vista prático, para uma pessoa cega. Uma série sem LSE não existe para uma pessoa surda. Esse público não desaparece; simplesmente não consegue consumir o que já está disponível.


Segundo a própria Netflix, cerca de 40% dos seus usuários no mundo todo mantêm as legendas ligadas o tempo inteiro, e 80% as usam pelo menos uma vez por mês — um contingente de pessoas que recorre às legendas por muito mais do que por conteúdo em língua estrangeira. Muita gente hoje assiste a tudo legendado por escolha, por preferir não perder nenhum detalhe da cena, mesmo quando consegue ouvir perfeitamente bem. Ou seja, a acessibilidade pode melhorar a experiência de consumo do conteúdo como um todo.


Seu projeto precisa de acessibilidade na tradução?


Traduzir, nesse contexto, significa compreender quais informações estéticas constroem o sentido de uma obra e encontrar formas de torná-las perceptíveis. Exige do profissional decisões constantes sobre o que preservar, adaptar ou recriar quando o canal de acesso muda.


A Je Suis oferece serviços de transcrição, audiodescrição e legendagem em português, inglês, espanhol e francês.


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