Por que aprender idiomas? O que acontece com o cérebro quando aprendemos uma nova língua
Atualizado: 9 de out.
Aprender um novo idioma envolve muito mais do que dominar regras gramaticais. A gramática tenta explicar como uma língua funciona, mas esquece que ela “tá na boca do povo”, configurando-se, portanto, como um fenômeno vivo.

E se a língua está viva, está em constante movimento. De geração em geração, novos nomes surgem e dão contorno às imagens que, até então, eram apenas uma sensação. Às vezes, basta conhecer um novo grupo de pessoas ou visitar uma cidade pela primeira vez para que já comecemos a perceber distintas maneiras de transmitir uma mensagem.
Uma vez compreendido que uma mesma língua se modifica, fazendo com que o próprio falante nativo tenha que aprendê-la continuamente, eis a seguinte questão: por que aprender idiomas e como o nosso cérebro opera no processo de aprendizado?
Antes do outro, vem a mãe
A forma como um bebê aprende a falar se dá pela observação das pessoas ao seu redor. O bebê vê, imita e passa a associar palavras aos seus conceitos, tornando-se fluente em sua própria língua-mãe.
A língua-mãe é a nossa primeira referência para estruturar o que queremos comunicar, e é no processo da repetição e associação que uma pessoa aprende um novo idioma. O que muda aqui é que, em vez de ocorrer em duas etapas — palavra > conceito —, o processo passa a incluir uma etapa intermediária: palavra > tradução > conceito. É por isso que muitas pessoas, quando começam a aprender um idioma, costumam traduzir primeiro de cabeça, para formular o que querem comunicar.
É aí que o sistema nervoso entra em ação. Através do fenômeno da neuroplasticidade, ou seja, a capacidade do cérebro de modificar seu funcionamento em resposta à experiência. A prática fortalece a formação de novas associações e transforma processos complexos em simples costumes.
Talvez você se interesse por: Língua portuguesa: história e reformas ortográficas.
O processo de aprendizado: por que aprender um idioma desenvolve o pensamento
Aprender uma nova língua não significa começar do zero, uma vez que ela chega a um cérebro que possui um arcabouço de associações.
O que acontece com nossa mente ao aprender uma nova língua?
Um estudo publicado em 2012 na revista NeuroImage acompanhou estudantes de interpretação durante três meses de estudo intensivo de uma língua estrangeira. Ao final do período, os pesquisadores identificaram alterações na espessura de áreas do córtex. Um grupo de universitários que também mantinha uma rotina intensa de estudos, mas não estudava idiomas, não apresentou as mesmas mudanças.
Outras pesquisas chegaram a resultados relacionados. Uma revisão publicada na revista Cortex reuniu estudos sobre os efeitos do bilinguismo no cérebro e mostrou que as alterações observadas podem variar conforme a idade em que o segundo idioma é aprendido, o nível de domínio alcançado e a frequência com que ele é utilizado.
Isso não quer dizer que falar dois idiomas nos torne automaticamente “mais inteligentes”. O que essas pesquisas mostram é que aprender e usar uma nova língua mobiliza o cérebro a ponto de estar associado a mudanças mensuráveis em sua estrutura e funcionamento.
Quem somos nós em outro idioma?
Nem precisamos sair do português para perceber que uma língua não é usada da mesma maneira por todo mundo.
O português que se fala em Cachoeira, na Bahia, é diferente daquele que se fala em Arcoverde, em Pernambuco, que é diferente daquele que se fala em Santa Maria, no Rio Grande do Sul. Mudam o vocabulário, a pronúncia, as expressões e até as maneiras mais comuns de montar uma frase. Também não falamos com um amigo exatamente como falamos em uma reunião de trabalho.
Em Latim em pó, o linguista e tradutor Caetano W. Galindo parte da história do português para mostrar justamente uma língua em permanente transformação. O português que falamos hoje não saiu pronto do latim. Foi se modificando com o tempo, com os deslocamentos de seus falantes e com o contato com outras línguas.
A quem pertence a língua portuguesa?
No Brasil, essa história teve outras influências. O português falado aqui entrou em contato com línguas indígenas, dialetos africanos e diferentes idiomas trazidos por sucessivas migrações.
Álgebra é uma palavra de origem árabe usada no título do tratado matemático de al-Khwarizmi, que significa “encontrar a parte que falta”. Outras, como aipim, arara, beiju, caatinga, caju e capim, têm origem indígena, e bagunça, caçula, xingar, moleque, bunda, quitanda, dengo e xodó vêm de origem africana.
Se isso acontece numa única língua, imagine quando circulamos entre várias. Uma pessoa pode falar português com a família, usar inglês todos os dias no trabalho e ter aprendido espanhol ao morar em outro país.
Então, somos outras pessoas quando mudamos de idioma? Não exatamente. Mas cada língua nos oferece um repertório próprio para dizer quem somos.
Dominar um idioma te permite traduzir?
Se você domina outro idioma, consegue ser tradutor ou tradutora? Depende. Conhecer bem os idiomas é fundamental. Mas traduzir demanda outra pergunta: como determinado conteúdo pode funcionar para quem recebe?
Traduzir uma peça de teatro é diferente de traduzir um filme, que é diferente de traduzir uma campanha publicitária, que é diferente de traduzir uma pesquisa de mercado. Cada conteúdo funciona à sua própria maneira.
Na JE SUIS TRADUTORA, investigamos quem produziu o material, para quem ele será direcionado, onde vai circular, qual é sua finalidade, que linguagem utiliza, quais referências carrega e quais termos precisam ser mantidos ou adaptados. É esse levantamento inicial que orienta as escolhas feitas ao longo da tradução.
Conheça nosso portfólio e conte conosco para colaborar no seu próximo projeto.
Je Suis Tradutora, um olhar para o sentido.

Comentários